Dia Mundial da Criança

Dia 1 de Junho
Dia Mundial da Criança

Há cerca de três anos, no Clube do “Cantinho da Leitura”, enquanto corrigia alguns trabalhos sobre actividades lá desenvolvidas, um aluno sugeriu: “- Professora, somos sempre nós a escrever para si! Escreva, também, alguma coisa para nós…” Os outros aliaram-se à sugestão e reforçaram o pedido num coro vigoroso. Eu sorri, um pouco admirada com a ideia, e concordei vagamente: “- Sim, talvez, um dia…”
Já em casa, os seus olhinhos brilhantes e expressivos, as suas vozes doces, as suas expressões acompanhavam-me e não abandonavam o meu pensamento. Peguei numa caneta e deixei que os meus sentimentos e pensamentos saltassem para o papel vestidos de palavras.
Na próxima sessão do “Cantinho da Leitura”, anunciei que tinha escrito algo para eles. Olharam-me surpreendidos e ficaram, por momentos, paralisados, calados, aguardando ansiosamente o que se seguia.
“- Fiz o trabalho que me pediram! – disse, não escondendo o carinho – Escrevi estas palavras para vós:”


SER CRIANÇA É…

Olhar o mundo
Com olhos de cristal,
A alma pura,
O coração aberto
E o sonho ali tão perto…

Olhar o céu
E querer o Sol, a Lua,
Galopar nas nuvens
Até além, onde o azul desagua,
Falar com as estrelas
E querer conhecê-las,
Bordar o céu com fantasia,
Brincar na lonjura da praia,
Cheirar a maresia.

Ser criança é…

Caminhar chutando
As pedras de calçada,
Saltar os muros,
Fugir à desfilada,
Chapinhar na água,
Sujar sapatilhas e calções,
Ouvir “sermões”
E ficar sem mágoa.

Ser criança é…

Sorrir, cantar, assobiar,
Pensar as brincadeiras,
Às vezes, fazer asneiras,
Correr até à exaustão,
Escorregar, cair no chão,
Levantar e continuar.


Ser criança é…

Estudar,
Mas também brincar,
Aprender a crescer, a viver, a pensar,
Mas também ensinar.

Ser criança é…

Olhar o mundo com esperança,
Querer ser bailarina, bombeiro,
Aviador, polícia, marinheiro,
Sem qualquer hesitação,
Com alegria e confiança.
É sonhar,
Fazer castelos no ar
E acreditar que amanhã
O Sol voltará a brilhar
E o mundo será seu…

Lídia Valadares, Leitura – Práticas Sedutoras, Ed. Gailivro


Nunca esquecerei a sua reacção! No final, bateram palmas, com uma alegria incontida, com os olhos brilhantes de emoção e sorrisos que me abraçavam. O que me disseram foi um presente valioso, de facto, um momento inesquecível!
Hoje, quero dedicar estas palavras a todas as crianças, porque penso nelas com um carinho muito especial. Gostaria, também, de as partilhar com os mais “crescidos” para que guardem, dentro de si, um pouco da alma de criança…


Lídia Valadares, 01/06/2009

Semana da Leitura

Sejam contadores mágicos!



Hoje, vou começar esta reflexão com um extracto do livro “Como um Romance”, de Daniel Pennac, que passo a transcrever.

“Caros bibliotecários, guardiões do templo, é excelente que todos os títulos do mundo tenham encontrado refúgio na perfeita organização das vossas memórias (o que seria de mim sem vocês, eu, cuja memória se assemelha a um deserto?), é prodigioso que estejam a par de todos os temas ordenados nas estantes que vos cercam… mas como seria bom, também, ouvir-vos contar os vossos romances preferidos aos visitantes perdidos na floresta das leituras possíveis… Como seria bom que lhes dessem a conhecer as vossas melhores memórias de leitura! Sejam contadores – mágicos – e os livros saltarão directamente das estantes para as mãos do leitor.”
Daniel Pennac, Como um Romance, p. 127

E é isso que procuramos fazer neste espaço: dar a conhecer livros que apreciamos, contos que nos seduziram, passagens que nos fascinaram, transmitir emoções e pensamentos que essas leituras nos suscitaram, partilhar a paixão que sentimos por esses livros… em suma, tentamos que os leitores se deixem contagiar por este amor pelos livros, possam encontrar os seus gostos de leitura e que os livros saltem das estantes para as suas mãos.
A este propósito, não posso deixar de registar, aqui, o meu testemunho sobre um extraordinário exemplo dessa magia de contar histórias: um contador, leitor/intérprete de leituras, que faz saltar livros das estantes para as mãos do leitor, num instante, assim, como quem estala os dedos!
A nossa “Semana da Leitura”, recheada de actividades diversificadas no âmbito da divulgação de livros, de escritores, da partilha de leituras e do incentivo ao prazer de ler e de escrever, terminou com um momento mágico, em que o Sr. Professor Adriano Guerra, no Auditório da Escola B. 2,3 de Lamego, leu o conto “O Beijo da Palavrinha”, de Mia Couto. Através das suas palavras, gestos e emoções, fomos conhecendo e vivendo a história de uma menina extremamente pobre, Maria Poeirinha, que tinha um irmão desprovido de juízo, Zeca Zonzo. Sentimos tristeza e revolta quando a menina se evadia em sonhos muito pequenos, pois a dura realidade logo lhos roubava. Ficámos pesarosos quando Poeirinha adoeceu gravemente e reflexivos quando o Tio Litorânio, recém-chegado à aldeia, diagnosticou que a origem de todos os males daquela família (pobreza, doença, palermice) centrava-se na falta de maresia, portanto a cura urgente estava no mar. Só que a menina estava tão fraca, tão vizinha da morte que a viagem se tornava impossível. E nós vivemos a angústia daquela família, impotente perante a doença. Todos os familiares ficaram sem saber o que fazer, excepto Zeca Zonzo, o tonto (que ironia!), que decididamente quis trazer o mar para junto do leito da irmã, rabiscando, com letra gorda, a palavra “mar”. Como Poeirinha já não conseguia ver, ele pegou carinhosamente nos dedos da sua mana e guiou-os por cima de cada letra da palavra. O Sr. Professor Adriano ilustrava perfeitamente a situação. E, assim, Poeirinha e nós, também, sentimos: as ondas do mar que sobem e descem no m; “uma gaivota pousada nela própria, enrodilhada perante a brisa fria”, no a e “magoámo-nos” no r duro e rugoso das rochas.

No mais profundo silêncio, ouvimos o marulhar do mar…
Os nossos corações ficaram inundados de lágrimas quando, no final, Zeca Zonzo, apontando para a fotografia da irmã, clamava: “Eis minha mana Poeirinha que foi beijada pelo mar. E se afogou numa palavrinha.”
Nós mergulhámos num mar de emoções que a magia do contador fez botar naquela sala. E o livro saltou da estante para as mãos de cada um dos presentes.
Neste momento, estou a recordar-me de um excerto sobre leitura que considero muito oportuno e vou partilhar convosco: “… a arte de ler é exactamente igual à de tocar piano ou qualquer outro instrumento. Como se aprende a gostar de piano? O gostar começa pelo ouvir. É preciso ouvir um piano bem tocado.” (Rubem Alves)
E nós tivemos o privilégio de ouvir um “piano” excelentemente tocado.
Bem-hajas, Adriano!



Lídia Valadares
16/05/2009

Semana da Leitura

O Manuel de Almeida, um aluno do Cantinho da Leitura, quis partilhar as suas opiniões acerca de um livro que leu e gostou.


Esta é a história de um livro triste. Triste porque já ninguém o lia. Abandonado e esquecido na prateleira de uma estante, só tinha um sonho: voltar a ser lido. Mas como conseguir tal milagre? O livro bem tentava chamar a atenção, mas nada!
Até que, um dia, uma notícia imprevista veio alterar a sua sorte e permitir a realização do seu desejo.

Os alunos do 7º 1 brindaram-nos com as suas histórias.
Depois de lerem nas aulas de Língua Portuguesa alguns contos tradicionais, relembraram contos da sua infância, e como que por magia voltassem outra vez àquele tempo, criaram as “Trocas e Baldrocas”.
"Trocas e Baltrocas" é um conto onde se misturam personagens dos contos: O Capuchinho Vermelho, os Três Porquinhos, a Branca de Neve e os Sete Anões...


Semana da Leitura

O Teatro na Escola

Os alunos do 9º ano, no âmbito do Ler+, participaram na Semana da Leitura com as suas criações dramáticas, concebidas num projecto de turma intitulado "Teatro na Escola".

Os alunos do 9º1 recriaram e adaptaram o "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente.














Os alunos do 9º 2 criaram um texto dramático: "Quem é quem?"
O texto tinha como objectivo recriar a figura de um professor da turma, dentro da sala de aula.